domingo, 25 de julho de 2010

Descobertas

Descobri tantas coisas na memória do outro que a minha tristeza ficou menos infeliz. Imprimi tudo – li e reli e a minha felicidade durou menos do que eu esperava e a minha memória, cada vez mais aguçada, não me acusa mais sobre as coisas do passado, mas busca entender de onde vem tantos erros.
Tentei escrever um livro, mas tudo em vão, como tantas outras milhares de coisas inacabáveis e incompletas da minha existência. Larguei-o para tentar fazer outras coisas, e hoje estou aqui, vazia e arrependida de nunca ter feito nada e com medo de fazer mal feito o que acabei de começar.
Acabei.
Recomecei e reescrevi a minha vida através das lembranças de um passado obscuro, um negro e trágico passado que ficou sob a minha vida como um caos de lama em que me afundava cada vez mais, cada dia mais. Afogava-me na escrotidão dos meus pensamentos e da minha eterna culpa de ter jogado a minha própria vida esgoto afora.
Estou aqui.
Agora limpo as grossas camadas enlameadas do meu resto fio de vida. Resgatando a sobrevida de uma fulgurante luz que vejo brilhar muito acima da minha cabeça, a qual ainda permanece no submundo.
Houve um tempo em que eu pensei que não sobreviveria sob o duro impacto da queda. Eu caí, me espatifei, me fiz em mais de mil cacos submersos no sangue coagulado... pois é, passei por tantos estilhaços que houve outro tempo em que não havia mais cola para grudar os trapos humanos de mim que ainda restavam.
Hoje estou inteira, mas totalmente trincada, me adaptando a um novo sentido de existência e remoendo angústias das falsas ideologias que criei para transpor sobre mim a apólice vertical de sobrevivência.
Agora a minha ração é tão profunda quanto à existência e o que mora em mim é a vaga melancolia mórbida de tempos atrás, que jamais voltarão, e que ainda assim, insiste em aniquilar a vidraça emocional e a barreira intransponível da minha nova vocação.
Quero tudo de volta.
Mas não posso...

2000 - Dor.

Depois do fim – a dor
Depois do mar de lama
Em que nos encontramos
- somente dor –
E em mim um vazio
Com lágrimas e gritos
De um amor sufocado
Que nem sei se foi amor
Realmente é que o protótipo
Saiu pela culatra.
Saiu, fugiu – sem sequer
Dar boa tarde.
Esse amor que de tão seco
Ficou amargo
E de tão rude
Se esvaiu como um corte profundo na aorta.
E agora?!?
Só grito, choro e insatisfação...

2000.

Como dói a sua ausência
Como está vazia a minha vida -
minha cama e meu abraço.
Como sinto sua falta.
Como penso em você,
Nos seus braços, no seu sexo e...
No seu amor.

Inexistência...

Acordei com vontade de explodir.
Minha dor ultrapassava todas as formas de pensar
Não poderia, nem sequer, cogitar uma vaga noção de prazer...
Sexo?!? Drogas?!? Rock'N Roll?!? Comilança?!?
Nada!!!
Estava vazia.
Não havia em mim senão dor.
Queria explodir.
Inexistir.
Não sei até quando poderei suportar essa situação atípica em minha vida.
Sou um ser acostumado a ser vivo.
Não costumo ficar morrendo por aí.
E o que acontece comigo, agora, é morrer.
Morro lentamente a cada dia.
Estou cansada de angústia, falsas expectativas, frio na barriga, dores.
Estou cansada... dessa imensa solidão.
Solidão de você.

sábado, 24 de julho de 2010

Prazer Solitário

Masturbei-me (novamente) pensando em você.
Nestes momentos, entre loucura e lucidez, chego realmente a sentir a sua respiração, forte e pesada.
Desejo você – sinto sua energia sobre mim.
Sinto (ou imagino - sei lá) sua língua em minhas costas, em minhas orelhas e até ouço seus gemidos de intenso prazer.
Quero imensamente sua penetração.
Sinto vibrar em mim, em cada músculo, em cada célula - o êxtase.
Percebo o instante exato que derrama em meu sangue a adrenalina.
Contorço-me em endorfinas...
... e entrego-me completamente...
... ao prazer solitário...

Grão de Amor

Odeio me sentir ridícula...
Não com relação às roupas ou aspectos físicos, mas aos meus sentimentos...
E já estou eu, de novo, devaneando...
Imaginando-me como em frases feitas.
Implorando um pouco de atenção.
Carência deplorável...
Odeio quando percebo que posso ter bobeado de alguma forma.
Que posso ter sido passada para trás...
Se ao menos eu tivesse a certeza de alguma coisa.
Se ao menos eu soubesse o que acontece ao meu redor, mas...
Estou cega a todos os fatos.
Estou cega ao meu redor...
Procuro transformar pensamentos em palavras, para aos poucos, sucumbir-me a mim mesma.
Se ao menos não me sentisse tão só...
E, devaneios à parte, paro e me contento em ser só um grão.
Apenas um grão de pequenos e esparsados momentos que raramente acontecem...
Apenas migalhas do teu amor...
Apenas o que restou para o meu cárcere, minha tortura voluntária.
Só restos...
E mais nada.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Eu, por mim mesma.

Costumo dizer que o meu emocional é um cristal das lojinhas de R$1,99.
Passa-se o vento e ele se faz em mil pedaços, volta o vento e, aos cacos, se reconstitui, não ao que era antes, mas volta.
Disso tudo, não posso dizer que sou melhor ou pior do que era antes, não posso me resumir ao menor ou ao melhor – ou qualquer coisa de intermédio, pode ser...
Atualmente descubro-me e desconcerto-me... Quem sou eu???
Fragilidades à parte, percebo que, à margem de caquinhos, sangro a todo instante e não me importo com qualquer outra coisa, só com o outro.
Estou rodeada de outro.
O outro é minha guia.
O outro é o meu vento.
Grudo um por um os meus caquinhos.
Recolho os pós restantes de emoção.
Levanto-me tranquilamente, dou a mão ao outro - sua mão é etérea - surpreendo-me...
...e... sem euforia, deixo o furacão me levar...

terça-feira, 20 de julho de 2010

DESPEDIDA

E no meio dessa confusão alguém partiu sem se despedir; foi triste. Se houvesse uma despedida talvez fosse mais triste, talvez tenha sido melhor assim, uma separação como às vezes acontece em um baile de carnaval — uma pessoa se perca da outra, procura-a por um instante e depois adere a qualquer cordão. É melhor para os amantes pensar que a última vez que se encontraram se amaram muito — depois apenas aconteceu que não se encontraram mais. Eles não se despediram, a vida é que os despediu, cada um para seu lado — sem glória nem humilhação.

Creio que será permitido guardar uma leve tristeza, e também uma lembrança boa; que não será proibido confessar que às vezes se tem saudades; nem será odioso dizer que a separação ao mesmo tempo nos traz um inexplicável sentimento de alívio, e de sossego; e um indefinível remorso; e um recôndito despeito.

E que houve momentos perfeitos que passaram, mas não se perderam, porque ficaram em nossa vida; que a lembrança deles nos faz sentir maior a nossa solidão; mas que essa solidão ficou menos infeliz: que importa que uma estrela já esteja morta se ela ainda brilha no fundo de nossa noite e de nosso confuso sonho?

Talvez não mereçamos imaginar que haverá outros verões; se eles vierem, nós os receberemos obedientes como as cigarras e as paineiras — com flores e cantos. O inverno — te lembras — nos maltratou; não havia flores, não havia mar, e fomos sacudidos de um lado para outro como dois bonecos na mão de um titeriteiro inábil.

Ah, talvez valesse a pena dizer que houve um telefonema que não pôde haver; entretanto, é possível que não adiantasse nada. Para que explicações? Esqueçamos as pequenas coisas mortificantes; o silêncio torna tudo menos penoso; lembremos apenas as coisas douradas e digamos apenas a pequena palavra: adeus.

A pequena palavra que se alonga como um canto de cigarra perdido numa tarde de domingo.

Rubem Braga

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Relembrando

Aquela quarta-feira meus pés doíam de frio.
O coração saltava pela boca ao pensar que estava ao seu lado. Subi as escadas. Levei o notebook para colocar nossas músicas, idéia fixa de que seria mais romântico... Me atrapalhei e nem consegui ligá-lo.
Paciêcia...
Mais sua que minha, é claro...
Pedi calma, seu sexo pulsava ancioso.
Desejo puro.
Eu, perdida entre o desejo, o sentimento e o real...
Resolvi então começar a tirar a roupa.
Tremia de desejo.
Tremia de medo.
Tremia de amor.
Nossas bocas se tocaram e sua língua, segura e quente foi desnudando a minha. Beijos de volúpia.
Minha nuca, meus mamilos enrijecidos...
Hora de quebrar o gelo!
Sem medo da inspiração, sua língua invade entre minhas pernas e me faz contorcer de prazer...
Preciso urgentemente que você suba e me penetre...
Quero-o com todas as nossas forças...
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Cansaço
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Renovação...
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Apoio-me sobre você...
Queremos sempre mais, somos muita energia juntos...
Brincamos um pouquinho... Excitação total... Brincamos mais um pouquinho...
Fico de quatro, como nos velhos tempos... Adoro!!!
Primeiro orgasmo!!!
Segundo orgasmo!!!
...
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Cansaço e espera para a próxima brincadeira...

Introdução

Há tanto tempo não escrevo...
Não há muito o que dizer.
Mas preciso colocar de volta as minhas impresões, recordar passados e permitir acessos...
Passo agora por um novo ciclo, não sei se pelo de lagarta ou de borboleta, mas metamorfoseando, registro aqui o que fui e provavelmente o que passarei a ser, desde que percebi que estava imersa em um mundo, que se resumia em um poço, um imenso buraco sem fundo.
Olho lá em cima e muito vagamente percebo um pequeno brilho, não sei se de ilusão de ótica ou de esperança, mas há luz lá no alto, tão alto, tão lato, tão alto...
É nítido que é impossível alcançar... Um foco de luz... tão pequena, que só brilha...
Se brilha, é que dentro do meu ser, no recluso em breu, desponta a chama da esperança...